Filosofia Circular

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A filosofia dos "rolezinhos"


Transformaram-se em causa de movimentos sociais os chamados "rolezinhos", que estão ocorrendo principalmente em shopping centers de grandes cidades, como São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Poderiam ser interpretados como uma inofensiva algazarra promovida por adolescentes em busca de visibilidade e que se sentem mais poderosos quando andam em grupo, mas o "fenômeno" acabou por trazer à tona discussões sobre preconceito, racismo e o espaço do jovem pobre na sociedade. Para posicionar o leitor, os "rolezinhos" começaram a pipocar nos centros comerciais paulistanos no fim do ano de 2013, incluindo centenas de garotos e garotas da periferia, cujos encontros são marcados pela internet. Eles caminham juntos, cantam músicas de funk "ostentação", gritam, de vez em quando correm. Esse comportamento incomoda outros consumidores do shopping e apavora os lojistas, que sentem que seus patrimônios correm risco. A Polícia Militar quase sempre é acionada e é aí que um simples passeio em grupo ganha contornos de movimento social e levanta questões políticas. A repressão policial aos "rolezinhos" não passou despercebida para a opinião pública
Fonte: www.gazetadigital.com.br

domingo, 12 de janeiro de 2014

Moralidade





Definição da Moralidade
A moralidade fala de um sistema de comportamento que diz respeito aos padrões de comportamento certo ou errado. A palavra carrega os conceitos de: (1) padrões morais, no que diz respeito ao comportamento, (2) responsabilidade moral, no que diz respeito à nossa consciência e (3) identidade moral, ou alguém que é capaz de agir certo ou errado. Os sinônimos mais comuns incluem ética, princípios, virtude e bondade. A moralidade tornou-se uma questão complicada no mundo multi-cultural em que vivemos hoje. Vamos explorar o que a moral é, como afeta o nosso comportamento, a nossa consciência, a nossa sociedade e o nosso destino final.


Moralidade e Nosso Comportamento
A moralidade descreve os princípios que regem o nosso comportamento. Sem esses princípios em prática, as sociedades não podem sobreviver por muito tempo. No mundo de hoje, a moralidade é frequentemente considerada como pertencente a um determinado ponto de vista religioso, mas, por definição, vemos que este não é o caso. Todo mundo adere a uma doutrina moral de algum tipo.

A moralidade que se refere ao nosso comportamento é importante em três níveis. O famoso pensador, estudioso e autor CS Lewis os define como: (1) assegurar um relacionamento justo e harmônico entre os indivíduos, (2) ajudar a tornar-nos pessoas boas para que possamos ter uma boa sociedade e (3) manter um bom relacionamento com o poder que nos criou. Com base nesta definição, é claro que nossas crenças são essenciais para o nosso comportamento moral. Com o ponto 1, o professor Lewis diz que a maioria das pessoas sensatas concordam. Quando chega ao ponto 2, no entanto, começamos a ver certos problemas ocorrendo. Considere a filosofia popular "Eu não estou machucando ninguém além de mim mesmo"; esse pensamento é frequentemente usado como desculpa pelas más escolhas pessoais. Como podemos ser as pessoas boas que precisamos ser se persistirmos em fazer essas escolhas, e como esse resultado não afetará o resto da nossa sociedade? Más escolhas pessoais magoam outras pessoas. Ponto 3 é onde a maioria de desacordos surgem. Enquanto que a maioria da população mundial acredita em Deus, ou pelo menos em um deus, a questão da Criação, como a teoria das origens, é fortemente debatida na sociedade de hoje.

Um relatório recente em Psychology Today concluiu: "O indicador mais significativo do comportamento moral de uma pessoa pode ser o seu compromisso religioso. As pessoas que se consideram muito religiosas foram menos prováveis de relatarem terem enganado seus amigos, de terem casos extraconjugais, enganarem sobre seu salário ou até mesmo de estacionar em lugar proibido." Com base nesta constatação, o que acreditamos sobre a Criação tem um efeito decisivo sobre o nosso pensamento moral e nosso comportamento. Sem a crença em um Criador, a única opção que aparece restar é aderir aos padrões morais que fazemos para nós mesmos. A menos que vivamos em uma sociedade ditatorial, somos livres para escolher o nosso próprio código moral pessoal. Mas de onde é que essa liberdade vem? A visão de muitos dos que não aderem à Criação é que a moralidade é uma criação da humanidade, projetada para atender à necessidade de sociedades estáveis. Todos os tipos de vida estão no processo de decidir entre a vida e a morte, escolhendo o que fazer com o poder e / ou autoridade. Isto no fim das contas leva a um sistema de virtudes e valores. A pergunta é: o que acontece quando nossas escolhas entram em conflito umas com as outras? E se eu achar que preciso de algo para que minha vida continue mas isso resultaria em morte para você? Se não temos um padrão absoluto de verdade, o caos e o conflito serão o resultado de quando somos abandonados aos nossos próprios recursos e desejos.

Moralidade e a Nossa Consciência A moralidade influencia as nossas decisões diárias, e essas escolhas são direcionadas pela nossa consciência. Novamente, devemos decidir por nós mesmos onde a consciência se origina. Muitas pessoas sustentam a ideia de que a consciência é uma questão de nossos corações, que os conceitos de certo, errado e justiça estão "programados" em cada um de nós. Isto está de acordo com os escritos do Apóstolo Paulo, o qual aponta que mesmo aqueles que não acreditam em Deus frequentemente obedecem às leis de Deus, tal como consta nos Dez Mandamentos: "Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se" (Romanos 2:14-15). Mais uma vez, aqueles que não acreditam em Deus são deixados com apenas uma conclusão possível - que as nossas decisões são baseadas apenas em nossa necessidade de sobreviver. O que chamamos de nossa consciência, então, seria baseado no comportamento aprendido, ao invés de parte de um design Divino 
Fonte: www.allaboutphilosophy.org

O Brasil tem jeito?






Máquina pública comprometida com interesses privados, governo e Congresso sob suspeita, reforma política emperrada, estrutura partidária problemática. Pra variar, como em qualquer grande problema nacional, resta ao povo tomar uma atitude para mudar a situação. Começando pelas urnas. “Ainda não inventaram uma forma de controle social melhor que a rotatividade do poder”, explica o professor Luiz Otavio Cavalcanti. Mas como escolher o candidato certo, o “candidato honesto”? Vale lembrar que boa parte da classe política corrupta foi eleita com a alcunha de “honesta”. Ora, isso não é desculpa para se isentar da sua responsabilidade de votar. Informe-se! E o melhor meio é este aqui: a Internet. Há inúmeras iniciativas na rede que promovem informações e debates de qualidade acerca da atividade política.
Nos sites “Excelências” (projeto pioneiro da organização “Transparência Brasil”) e “Políticos do Brasil” (organizado pelo jornalista Fernando Rodrigues, autor de livro com o mesmo nome), você encontra fichas completas de candidatos a diversos cargos, nesta e em outras eleições. Com poucos cliques, é possível acessar dados como declarações de bens, denúncias de corrupção e processos em andamento.
Para Maranhão, já está mais que provado que essas fontes de informação têm sido usadas pelos eleitores e observadas pelos candidatos. “Basta ver o horário eleitoral. Candidatos novos estão cientes de que o povo quer renovação e procuram reafirmar a todo momento que ainda não possuem mandato.” Para ele e outros especialistas ouvidos, esse é um ótimo sinal. Nas últimas eleições, chegamos a renovar 45% das cadeiras (ou seja, substituímos quase metade dos deputados por candidatos novos, que, teoricamente, estão mais dispostos a se comprometer com o interesse público). “Neste ano, devemos bater o recorde”, espera. Acima de tudo, é preciso reconhecer que o que mais alimenta a prática da grande corrupção no Brasil é a falta de mobilização da sociedade e de um pensamento que priorize o bem coletivo ao invés do interesse privado. Nossa omissão e nossa falta de consciência política fortalecem e incentivam corruptores. E, depois, quando os esquemas são descobertos, é também nossa falta de cobrança que contribui para que os processos não deem em nada. E, se a pesquisa Ibope (citada no tópico “Origem e custo da corrupção” desta reportagem) traz conclusões alarmantes sobre o comportamento do cidadão, é hora de pensar em mudá-lo, não acha? Hora de tomar uma nova atitude em relação a nossos governantes, nossos amigos, parentes, vizinhos e também, em relação a nossos próprios valores.Mas não basta apenas escolher um candidato e votar. É preciso agir, fiscalizar, informar-se e cobrar, principalmente depois que ele tomar posse. É o que o professor Luiz Otavio Cavalcanti chama de “amadurecimento da relação entre o povo e os governantes”. E, também nesse caso, a Internet vem a calhar. Uma forma de participar é se associar a organizações independentes que discutem a questão, como Transparência Brasil, Instituto Millenium e A Voz do Cidadão. Uma das iniciativas mais recentes e promissoras é o Wiki Política, portal de informação colaborativa (idealizado pelos mesmos criadores da Wikipédia) que escolheu o Brasil como o 6.º lugar no mundo para ser implantado — é o primeiro país emergente a participar da campanha. A idéia é fazer com que você, cidadão, também faça política, colocando ali informações sobre candidatos ou discutindo a melhor forma de votar, etc. As possibilidades são inúmeras. Outros usuários participam como colaboradores, sugerindo alterações, correções ou inclusões no material que você publicou.


E os seus valores, quais são? Você está realmente ajudando a formar uma nação mais sadia?
Fonte: www.educacional.com.br

sábado, 21 de dezembro de 2013

Fim de ano ?


Cada fim de ano figura o fim do mundo. Vejo no sorriso alegre de cada indivíduo uma espécie de maquiagem, máscaras, estas que escondem uma caveira em decomposição. Não se trata de querer assustar os pobres humanos com a morte que há de vir, mas de constatar que não há motivos para sorrir tanto e, mesmo assim, sorriem em meio a frases prontas como “Feliz ano novo e que tudo se realize no ano que vai nascer”. Ora, um filósofo chato de carteirinha começaria a fazer uma profunda avaliação da sentença, que toma como base princípios indemonstráveis – todo princípio é indemonstrável para quem não sabe –, que engana o homem e que este parece gostar de ser enganado. Mas o desejo de ser feliz continua tão presente como a nervura que estrutura o homem em pé, que o permite levantar da cama e mendigar a felicidade como o caçador busca sua presa. O homem é um predador da felicidade, mas, com uma ressalva: o negócio é permanecer no desejo e nunca alcançar a presa. É o que o velho e bom Blaise Pascal chamaria de divertissement, um desvio militar estratégico da própria condição, um esquecimento de si, do próprio vazio ancorado no coração humano. No entanto, não há coisa melhor a se fazer, para aqueles que bancam os filósofos, pois detectar o divertissementno povo já é divertissement de intelectual. Diante disso, mergulhado no divertissement ou abraçando-o ao detectá-lo, como poderíamos viver?
De fato, esta última questão parece ser o grande enigma do filósofo que busca a saída da caverna e a visão do esplendor das ideias que podem dirigir a vida. Nestes tempos de festas que o mercado tomou conta – e o mercado sempre tomará conta de qualquer festa, até da filosofia, mas isso é estória para outro dia –, salientei a busca da felicidade e o trágico pensamento de Pascal. Agora, antes de desejar meu feliz ano novo filosófico, trago ao palco mais dois filhos da tragédia, Epicteto e Schopenhauer. O primeiro tem uma pérola que escorre entre seus dedos e, por acaso, caiu sobre minha escrivaninha: “Não busque fazer com que os acontecimentos cheguem como você quer, mas queira os acontecimentos como eles acontecem, e o curso de tua vida será feliz”. (Manual, VIII, Ed. Flammarion). A vontade de gravitar os acontecimentos como convém à nossa vontade é o erro do homem: este deve assentir àquilo que acontece e como acontece. O filósofo grego é um trágico ao mostrar este desajuste entre o não sábio e tudo que lhe acontece. A tonicité – firmeza – buscada com tanto afinco pelos estóicos ainda tem algo a nos ensinar, pois será permanecendo nela que seremos felizes e poderemos entoar um feliz ano novo estóico. Todavia, ainda não cheguei lá: olhando mais de perto, quais seriam estes acontecimentos que acariciam nossos rostos todos os dias e, mesmo ferindo a pele ao nos tocar, manteria nossa tonicidade? Schopenhauer atravessa o século e sussurra um grito em meus ouvidos: “Parecemos carneiros a brincar na relva, enquanto o açougueiro já está a escolher um ou outro com os olhos, pois em nossos bons tempos não sabemos que infelicidade justamente agora o destino nos prepara – doença, perseguição, empobrecimento, mutilação, cegueira, loucura, morte, etc.” (Contribuições para à doutrina do sofrimento do mundo, &150, Coleção OS PENSADORES). Não faço aqui grandes elucubrações abstratas – meus pés estão no barro e cheiram sangue, como a citação do filósofo alemão. Agora poderemos dizer feliz ano novo, mas lembrando que o divertissement de Pascal é o que nos mantêm no processo, então, que nem tudo se realize no ano que vai nascer, pois o que nos restará a fazer se tudo já estiver feito? Portanto, em um só coro, em uma só voz, Epicteto, Pascal e Schopenhauer exclamam, com todas suas observações, seu feliz ano novo filosófico: “Feliz ano novo e que nem tudo se realize no ano que vai nascer”, apesar de nosso Mario Quintana, o poeta de Alegrete, não deixar esquecer em um de seus poemas que estão gravados no meu coração, quando penso como poderia escolher viver: “A vida é triste, o mundo é louco”. (A Cor do Invisível, p. 882, Editora Nova Aliança).

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Filosofia da depressão


Uma em até cinco pessoas pelo mundo, em um período da vida, provavelmente apresentará o que a medicina denomina depressão. Determinadas modificações químicas no cérebro com vinculação dos neurotransmissores (noradrenalina e serotonina, em maior proporção estas) estarão associadas a autoestima arruinada, tristeza continuada, alterações cognitivas graves. Cansaço, medo, desinteresse, vazio, sensação de dor, de morte, insônia.
Suponha que eu diga que um ventilador apresenta barulho, as pás se movimentam em baixa rotação, às vezes param. E em seguida, eu lhe digo que abriremos o pequeno motor elétrico do ventilador e que pesquisaremos o que faz com que ele apresente autoestima arruinada, tristeza continuada, cansaço. Você me diria que uma pessoa não é um ventilador? Sim, eu acredito que a maioria não é um ventilador; não sei dizer de todas, não as conheço. A Filosofia Clínica estuda alguns elementos dos bastidores mecânicos do fenômeno médico (não filosófico clínico) nomeado por depressão. Exemplo: historicamente, a depressão é tida como apatia, renúncia, recuo, destituição dos elementos vitais. Uma falácia compreensível, mas cada vez menos justificável, se você tomar a Filosofia Clínica como estudo. Acredito na depressão como um movimento também de luta, de afirmação, de vida. N., senhora a quem atendi há muitos anos, escreveu na época: "...a única vez em que tenho a lembrança de estar realmente viva, Lúcio, foi quando estive em depressão. Aquele luto, tudo sem cor, dor no corpo, vontade de morrer é que me fez viver. Aprendi o que é viver na minha depressão. Sem a depressão a minha vida não teria graça nenhuma".
Mas é notório que alguns não desenvolvam a depressão, ainda que diante de quadros existenciais predisponentes historicamente a ela. Já algumas pessoas, pela constituição interna que formaram estruturalmente, caminham facilmente, pelo pequeno estímulo ou nenhum, em direção a ela. Encontram subterfúgios para um caminho rumo ao que se chama depressão. Há muitos exemplos. Um deles encontramos nas palavras de Nietzsche em Para além do bem e do mal quando escreve: "Os homens que conheceram a profundidade da tristeza, se traem quando são felizes, têm um certo modo de compreender a felicidade que parece mostrar que querem comprimi-la e sufocá-la, por ciúmes - porque sabem que, infelizmente, essa logo fugirá".
Também a sociedade pode empurrar grupos de pessoas a uma condição similar ao que a medicina chama de depressão por motivos que vão da lição à advertência. Mas qual a razão de, eventualmente, a sociedade promover a depressão e, concomitantemente, oferecer auxílio para a depressão que - neste caso - fomentou? Uma das respostas está na natureza da ajuda que a sociedade oferece (observe em quais condições os remédios e as terapias servem como paliativos, quando estão a serviço do próprio "mal" a que se propõem debelar). Existem fatores sociais, intrincados, derivativos, difíceis de mapear que podem levar ao que se denomina depressão. Diversos pesquisadores buscaram estes vetores; alguns autores os imaginaram, inventaram, enquanto outros os descobriram. Nem sempre esta diferença é relevante. Tomemos como exemplo o que Joaquim Nabuco escreveu em O abolicionismo, obra de 1884 (por favor, procure dar contexto ao escrito que segue): "Quanto às suas funções sociais, uma aristocracia territorial pode servir ao país de diversos modos: melhorando e desenvolvendo o bem-estar da população que a cerca e o aspecto do país em que estão encravados os seus estabelecimentos; tomando a direção do progresso nacional; cultivando, ou protegendo, as letras e as artes; servindo no exército e na armada, ou distinguindo-se nas diversas carreiras; encarnando o que há de bom no caráter nacional, ou as qualidades superiores do país, o que mereça ser conservado como tradição. Já vimos o que a nossa lavoura conseguiu em cada um desses sentidos, quando notamos o que a escravidão administrada por ela há feito do território e do povo, dos senhores e dos escravos.
Desde que a classe única, em proveito da qual ela foi criada e existe, não é a aristocracia do dinheiro, nem a do nascimento, que papel permanente desempenha no Estado uma aristocracia heterogênea e que nem mesmo mantém a sua identidade por duas gerações? Se, das diversas classes, passamos às forças sociais, vemos que a escravidão, ou as apropriou aos seus interesses, quando transigentes, ou fez em torno delas o vácuo, quando inimigas, ou lhes impediu a formação, quando incompatíveis".
Intensidade na experiência dos fenômenos relacionados à depressão é um dos fatores mais mencionados por pessoas que a viveram, como a tristeza muito forte. Existe aqui uma peculiaridade: a intensidade, de modo amplo, mas sem ser regra, liga-se imediatamente a dois eventos usualmente próximos. O primeiro, a paralisação de atividades que estavam em andamento; o segundo, ao contraste com os fenômenos internos. Mas já encontrei situações em clínica nas quais as pessoas atribuíam a intensidade por diferenciação e não por critérios de mais ou de menos.
A Analítica de Linguagem, um dos ricos veios da Filosofia Clínica, auxilia a decodificação dos laços internos, a mecânica da depressão, quando os dados de Semiose são verossímeis. Ou seja, observe a vizinhança, os referenciais, o movimento para uma acepção. E os casos nos quais tudo vai bem existencialmente, não há quaisquer registros que possam aventar a possibilidade de um quadro depressivo, nem histórico em torno da pessoa, e subitamente um forte episódio de depressão desce sobre a vida da pessoa arruinando suas buscas, seu trabalho, sua família? Eis um dos motivos pelos quais em Filosofia Clínica tanto se confere ênfase a interseções tópicas, aos movimentos estruturais.
A depressão também pode ser indicada existencialmente. Certa ocasião, em uma aula, sugeri a uma aluna farmacêutica que oferecesse em sua farmácia depressivos, e não apenas antidepressivos. A questão é que a sociedade na qual vivemos entende como razoável o antidepressivo e como uma afronta o remédio depressivo.

Fonte:Lúcio Packter é filósofo clínico e criador da Filosofia Clínica. Graduado em Filosofia pela PUC-FAFIMC de Porto Alegre (RS). É coordenador dos cursos de pós-graduação em Filosofia Clínica da Faculdade Católica de Cuiabá e Faculdades Itecne de Cascavel. luciopackter@uol.com.br

quinta-feira, 28 de novembro de 2013




O Deísmo  expressa uma posição filosófica e também religiosa que aceita a ação divina na criação do mundo, convicção esta conquistada não por revelações de Deus, mas sim pela compreensão racional da Divindade, uma percepção que parte do conhecimento das leis que regem a vida e a Natureza. Esta doutrina nasceu no final do século XVII, na Inglaterra, fruto das teorias elaboradas por Lord Herbert Cherbury, o criador do deísmo britânico. Em princípios do século XVIII estas idéias se disseminaram pela França, onde surgiu a expressão que deu nome a este movimento – o deísmo.
Pensadores franceses desta época defendiam que os adeptos desta filosofia  não tiveram a oportunidade de se tornar ateus, enquanto no século XIX outros filósofos do mesmo país afirmavam que os seguidores deste movimento nunca desejaram ser descrentes de Deus. Estes conceitos distintos revelam a polêmica em torno da definição concreta do Deísmo.
Pela lógica deste pensamento, que racionaliza a crença em Deus, não há necessidade de se institucionalizar a religião, ou seja, é dispensável a criação de cultos religiosos formais. Ao contrário do teísmo, que também afirma a existência doCriador, gerador de tudo que há, o Deísmo acredita que a interferência desta Divindade no mundo por ela produzido cessa exatamente neste momento. Ele lhe atribui leis que regerão a vida e seus mecanismos, depois deixa sua criação relegada às normas naturais instituídas por Ele; e, além disso, dispensa seus ritos de devoção.
Mas não há um consenso doutrinário nem mesmo entre os próprios deístas. Eles nem mesmo adotam uma doutrina exclusiva. É certo, porém, que eles substituem o conceito de ‘revelação divina’, os atributos dogmáticos e convencionais das religiões, pelo uso da razão, das experiências científicas, bem como pelo conhecimento das leis naturais. Deus, para os deístas, não é exatamente um ser antropomórfico, a quem são atribuídas as características humanas, tanto as físicas quanto as emocionais. Ele pode ser compreendido como o princípio vital que anima tudo que existe, como a energia geradora da vida, ou ainda como o motor que move o Universo. Esta visão, naturalmente, vai de encontro às crenças das religiões ortodoxas.
Os deístas crêem que, se uma revelação realmente se concretiza, ela deve valer apenas para quem a recepcionou, não como uma verdade absoluta e universal imposta a todos. Isto significa ver as diversas religiões como emanações distintas de uma mesma verdade divina, embora esta não seja soberana e ilimitada. Assim, este movimento é fruto do Humanismo que permeava o movimento renascentista, o qual posicionava o Homem como centro de tudo, em contraposição ao Teocentrismo, que defendia ser Deus o centro do Universo. O foco principal da cultura humana se transporta de Deus para o Homem. Neste contexto do nascimento do Deísmo também ocorria uma expansão da Ciência e, portanto, do racionalismo.
Os deístas acreditavam na possibilidade de se criar uma religião natural, de algo que podia ser compreendido por meio do raciocínio. Eles rejeitavam, assim, qualquer fé em milagres ou em acontecimentos sobrenaturais. O Deísmo também defendia que não se podia conhecer a Deus, mas apenas o que ele tinha criado. Era nas leis elaboradas por Deus que o indivíduo deveria se pautar em sua vida. Mas engana-se quem pensa que grande parte dos deístas realmente achava que Deus não interagia de forma alguma com o universo humano, embora alguns assumissem uma posição totalmente agnóstica, pois defendiam que no seu cotidiano o Homem deve se guiar pela Razão.
O Deísmo se difundiu sempre em contextos nos quais o fanatismo imperava, como na Inglaterra, onde ele se estabeleceu em contraposição à Igreja Anglicana e ao radicalismo puritano. Na França este movimento foi disseminado principalmente por Voltaire, que neste país popularizou os escritos deístas ingleses, somados aqui ao sentimento anticlerical dos chamados enciclopedistas. Alguns filósofos, desta forma, acabaram se tornando ateus. Na Alemanha, Kant, um dos principais pensadores alemães, destacava que a moralidade não poderia ser fruto de uma revelação divina, mas era algo inerente à racionalidade humana.
Embora os deístas creiam na existência de vida em esferas que transcendem a matéria, não se deixam seduzir por dogmas ou mitos, e geralmente apresentam alguma espécie de frustração com as religiões tradicionais.
Fontes
http://encfil.goldeye.info/deismo.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deísmo

Alguns Filósofos Ateus


A historia do pensamento ateu é bastante difusa e, por isso, nada concentrada em único individuo ou lugar. No entanto, como muitos dos conceitos ocidentais, o primeiro relato de um pensador ateu ocorre na Grécia antiga, no século 4 antes de Cristo. A origem da palavra deste modo deriva do grego antigo, sendo o adjetivo atheos formado pelo prefixo a, dando o significado de “ausência”. O radical “teu”, derivado do radical theos, significa “deus”. Assim resultando o sentido de “sem deus”


Epicuro

Na Grecia, quem difundiu as ideias da ausência de deus foi o filosofo nascido na ilha de Samos em 341 a.c., Epicuro mesmo não sendo propriamente um ateu, levantou a questões de que os deuses nada mais são do que simples analogias das qualidades humanas. Durante seus estudos, Epicuro indagou relação das pessoas com os deuses do Olimpo, pois, para ele se os deuses existissem, eles teriam mais com o que se preocupar em vez de criarem métodos de sofrimento para as pessoas.



Carnéades

Influenciado pelo epicurismo, o filosofo Carnéades, de Cirene (214 – 129 a.c.) chegou a dzer abertamente em publico que os deuses não existiam. Na ocasião ele estava em Roma, enviado com mais dois outros filósofos para representar Atenas na cidade. A declaração do pensador foi durante uma conferencia no senado romano e é considerada a primeira manifestação publica de ateísmo filosófico.  




Após o domínio cristão
Com o crescimento da doutrina crista pelo mundo ocidental e a estatização da religião, durante muitos anos, ser ateu era considerado uma ofensa. Conforme a igreja Católica foi se constituindo, mais e mais perigoso tornou-se o fato de ser ateu, chegando ao patamar de transformar em uma acusação. Muitas das vezes, apenas ser mencionado por alguém, ou mesmo cogitado, já era o bastante para o dto herege ser condenado a fogueira. Devido ao perigo de ser ateu, não é possível precisar quantos ou mesmo quem era ateu até a chegada do iluminismo, no século 18.

Diderot

O filosofo Denis Diderot (1713 – 1784) é um dos mais ferrenhos críticos francesses da religião, autor, dentre vários, do livro A Religiosa. Nesta obra, Direrot ataca diretamente a igreja Católica e as praticas eclesiásticas. Além disso, em A Religiosa, o autor denuncia vários abusos cometudos pela igreja – que, na época, detinha um poder inquestionável perante a população europeia como todo. É celebre a frase em que Direrot diz: “O homem só será livre quando o ultimo déspota for estrangulado com as entranhas do ultimo padre.”


Século 19

Feuerbach

Nesse período, ouve uma grande proliferação dos ateus na Europa. Tido como principal filosofo contemporâneo ateu e um de seus mais notáveis difusores, o alemão Ludwig Feuerbach (1804 – 1872) chegou a influenciar o mais conhecido pensador ateu: Karl Marx. As ideias de Feuerbach têm como base que deus é a projeção do desejo de perfeição do homem. Assim, deus nada mais seria do que o próprio homem evoluído dentro de uma concepção divina. Na obra mais famosa do autor. A Essência Do Cristianismo, Feusrbach diz que o pensamento teológico, na verdade, é o desenvolvimento de um raciocínio em que “o homem cria deus a sua imagem e semelhança”.

Marx

Contemporâneo de Feuerbach, e também alemão, Karl Marx (1818 – 1883) exprimeiu com clareza a tendência ateia no livro Uma Contribuição A Critica Da Filosofia Do Direito De Hegel, de 1844. Na obra, Marx expos as ideias anticlericais e antiteistas, influenciando uma serie de pensadores modernos ao ter, em uma das características, a declaração explicita do ateísmo como consciência individual. Todas as revoluções marxistas, como na URSS ou  na china, tiveram como marca a perseguição religiosa. Em razão dessas perseguições, mortes e prisões, ate hoje se relaciona o comunismo marxista a intolerância religiosa.

Nietzsche

Ainda na Alemanha no século 19, outro influente pensador ateu foi Friedrich Nietzsche (1844 – 1900). Nascido no ano de publicação do livro de Marc. Uma contribuição a critica da filosofia do direito de Hegel, no antiteismo, Nietzsche é conhecido pela famosa frase: “Deus  esta morto”, além do questionamento: “Seria o homem um erro de deus ou deus um erro do homem?” feito no polemico livro O anticristo, em que Nietzsche ainda proclama que o único cristão morreu na cruz. No caso, isso seria uma critica a origem do cristianismo, pois, para Nietzsche, o fundador do cristianismo não foi Jesus, mas Paulo de Tarso, que teria deturpado os ensinamentos de cristo a partir de suas próprias interpretações.


Século 20

Sartre

Conhecido pela vertente filosófica existencialista, Jean-Paul Sartre (1904 – 1980) é um dos mais notórios pensadores do século 20. Influenciado pelo marxismo, Sartre desenvolveu uma dialética que explana varias razoes para a inexistência de deus. Em decorrência da defesa do existencialismo ateu, suas obras foram ate mesmo incluídas na lista de livros proibidos pelo vaticano. O existencialismo sartreano reconhece a moral laica em que os valores humanos existam sem a necessidade do divino. Considera a moral uma consciência de responsabilidade do próprio individuo, não o medo da punição divina pelo erro.

Sam Harris

Dos pensadores ateus contemporâneos, um dos mais proeminentes é estadunidense Sam Harris (1967). Graduado em filosofia, recebeu o titulo de doutor em neurociência em 2009. O pensamento de Harris se baseia em pontos tanto ideológico como físicos para demonstrar a “farsa das religiões”, sendo esse o mote de doutorado em neurociência. Durante os anos de estudo, Harris utilizou imagens de ressonância magnética para conduzir pesquisas de base neurológica a respeito de crenças, descrenças e incertezas. Harris escreveu dois livros: A Morte Da Fé (2004) e Carta A Uma Nação Crista (2006).