Filosofia Circular

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A indignação



A palavra indignação tem sua origem em uma reação diante de algo indigno. Trata-se de um sentimento de revolta experimentado frente a uma indignidade, injustiça, afronta ao bem comum ou desprezo à ética social.
A indignação sempre aponta para uma reação ética contra atitudes, sejam do cotidiano sociofamiliar ou das relações políticas, em que os juízos de valor revelam a ilicitude e/ou impropriedade de algum tipo de comportamento.
A indignação ética desencadeia necessariamente um tipo de reação em que a pessoa toma consciência de algum ilícito e parte para uma demonstração, formal, pacífica ou até violenta de inconformidade.
Há dias, escutei um programa em uma rádio de Porto Alegre em que o assunto “indignação” foi enfocado, a partir da agressão sofrida por Silvio Berlusconi, quando um cidadão italiano, abalado com tanta corrupção moral, botou para fora toda a sua revolta contra aquele homem público. Revendo alguns fatos, passados e não tão passados, recordei a revolta da torcida do Coritiba; a mulher que quebrou os vidros de um hospital que deixou de atender sua filha de dois anos; a sapatada que um jornalista iraquiano deu em Bush, e outras tantas passeatas frente à casa de políticos que se veem por aí.
Essas agressões, todas elas injustificáveis, denotam a que ponto chega a exasperação das pessoas. Quando não se bota para fora a indignação, ela vai se comprimindo num processo de recalque, qual uma mola pressionada. Um dia, o disparo é inevitável. É perigoso o estouro de uma indignação.
No terreno das indignações com os descaminhos políticos, alguns ingênuos costumam citar o voto como ferramenta de faxina na sociedade. Trata-se de um ledo engano. Primeiro, porque a mudança vai levar quatro anos; depois, porque muitos conseguem se reeleger, e, por último, não é raro a gente eleger alguém que parecia sério e competente e depois se revela um desastre. A indignação nasce do sentimento de impotência que temos diante de fatos que contrariam o bom senso, a ética e a decência.
São vazias certas manifestações de desconformidade, pois a corrupção nacional é uma bandeira, a incompetência tornou-se um outdoor dos burocratas, e a indiferença, uma prática usual. A geração crescente de escândalos e a impunidade se tornaram a antítese de nossa capacidade de indignação.
É lamentável constatar que neste país das liminares, de habeas corpus, dos desmentidos do indesmentível e de tantas pizzas, indignar-se é tempo perdido e geração de estresses.
Fonte:www.filosofialimite.blogspot.com.br

O Filósofo do Absurdo


A Record lança Albert Camus: uma vida, de Oliver Todd, que acompanha em detalhe a história do argelino morto tragicamente em um acidente de carro.
No dia 4 de julho de 1960, o homem que ganhou o Prêmio Nobel de 57 e que gastou metade do cheque na compra de um palacete no campo, recebeu a visita de seus inseparáveis amigos Anne, Janine e Michel Gallimard. Eles o fizeram desistir de uma passagem de trem para voltarem juntos de carro a Paris. O carro, um Facel-Véga dirigido por Michel Gallimard, seu editor, na altura da Rodovia 5, se arrebentou contra um plátano, entre as pequenas localidades de Champigny-sur-Yonne e Villeneuve-la-Guyard, na França. O relógio do painel do carro foi encontrado bloqueado às 13h55m, provavelmente a hora exata de sua morte. Anne e Janine saíram ilesas e Michel morreu cinco dias depois. Em Albert Camus, uma biografia, lançado pela Record, Olivier Todd relembra "a seus amigos, Camus dizia com freqüência que nada era mais escandaloso do que a morte de uma criança e nada mais absurdo do que morrer num acidente de automóvel''.
Camus nasceu em Bône, cidadezinha a 18 horas de trem de Argel, capital da Argélia, no norte da África, a 7 de novembro de 1913. Órfão de pai vinhateiro, morto na Grande Guerra européia, e filho de uma faxineira analfabeta, cresceu ‘‘a meio caminho entre a miséria e o sol.'' A biografia de Todd traz elementos pessoais novos da vida do autor, produtos de uma extensa pesquisa que incluiu cerca de 200 entrevistas e acesso a arquivos raros, e que revelam a onipresença da tuberculose, doença adquirida, em 1913, que o impediu de fazer o agrégation - exame que lhe daria acesso ao mundo acadêmico - e a intensa vida amorosa daquele que foi, desde A Peste, o pensador do absurdo.
Camus se transformou em celebridade muito cedo. Antes de completar os 30 anos, , revelou-se como intelectual brilhante com a publicação em Paris, em 1942, de "O estrangeiro", o livro mais vendido da editora Gallimard desde que ela foi fundada. Jornalista de sucesso, passou pelos jornais Alger Républican, Paris-Soir e pela revista Paris-Match, consagrando-se como o melhor editorialista da França neste século pela sua atuação no Combat, publicação símbolo da resistência à ocupação da França pelos alemães durante a 2ª Guerra Mundial "A imprensa tem um papel de conselheira a ser desempenhado junto ao governo e de guia junto à opinião pública. O jornalismo crítico implica exigir que os artigos de fundo tenham fundo e que as notícias falsas ou duvidosas não sejam apresentadas como notícias verdadeiras".
Todd nos mostra que o homem que dizia ser até à morte um homem de esquerda foi perseguido por que não aceitava as atrocidades dos regimes socialistas - foi condenado por sua posição no caso da guerra de libertação anticolonialista da Argélia "Quero lutar pela justiça. Não nasci para me resignar à história". Anuciando antes de todos que a Era das Ideologias havia terminado, em O Homem Revoltado, ousou escrever: "Os operários lutaram, foram mortos para dar o poder a militares ou a intelectuais, futuros militares que por sua vez os submetiam." Dando definições tão duras quanto exatas das ditaduras comunistas de Lênin a Fidel Castro, Camus atacou o conformismo de muitos filósofos diante da herança stalinista, alertando para o perigo do dogmatismo histórico, que aceitava a tese do fim justificado pelos meios.
Foi quando Camus trocou o jornalismo pela literatura como meio de vida, transformando-se num romancista e num intelectual amante dos debates filosóficos. "O trabalho do escritor consiste em escrever, com o máximo possível de exigências, e ao final desse esforço às vezes lhe acontece encontrar o que tanto buscou em si mesmo. A criação não é uma alegria no sentido vulgar. É uma servidão, uma terrível escravidão voluntária - e a alegria se assemelha muito à das grandes vitórias, tem um perfume de melancolia". Inspirando-se em Oscar Wilde André Gide, René Char, Ésquilo, Dostoievski e Marx e Engels , Camus deu-se conta de que os clássicos reescrevem a mesma obra continuamente e a literatura funciona como filosofia "um romance nunca passa de uma filosofia posta em imagens". Suas obras refletem isso. Tanto A QuedaOExílio e o ReinoO Estrangeiro e A Pestee a peça teatral O Mal-entendido, possuem uma estrutura construída sobre o equilíbrio frágil de forças antagônicas, num jogo de alternâncias entre natureza e história, entre o gozo individual dos bens naturais e compromisso coletivo frente à injustiça, entre desejo de permanência e destino de morte. "A miséria me impediu de acreditar que tudo está bem sob o sol e na história; o sol me ensinou que a história não é tudo."
O resgate político e filosófico de sua obra se completa com uma interpretação detalhada da vida pessoal de Camus. Reunindo uma extensão de cartas pessoais inéditas, elas permitem perceber que frente ao absurdo, ainda é mais forte a força que apela a vida. Entre as várias cartas compiladas, Todd revela Camus como o amante de várias mulheres. A primeira era Mi, uma jovem pintora. A segunda, Catherine Sellers, uma atriz que viveu papéis de destaque no teatro parisiense. A terceira, Maria Casares, internacionalmente famosa, a bela e talentosa atriz de teatro com quem manteve um relacionamento por 16 anos. Houve ainda uma quarta em Nova York, chamada Patricia Blake e Mamaine, a amante de Artur Koestler. Disso, resulta uma perspectiva que faz o biógrafo a aproxima-lo de Don Juan, protagonista de casos amorosos e que "se inebria a cada conquista". Longe de ser um parisiense despreocupado, ele importava-se com suas aventuras amorosas. "Seus relacionamentos com mulheres são muito mais saudáveis que os de Sartre, além de ser mais tocantes", afirma Olivier Todd. E completa: "Encantador e sombrio, sincero e teatral, humilde e arrogante, Camus queria que gostassem dele. Muitas vezes o conseguiu. Desejava, é claro, ser compreendido, mas não o conseguiu, no final de sua vida. Falou demais da felicidade para ser feliz" O mérito do livro é o fato de descreve-lo como ser humano e humanista, um auto-crítico e crítico do entusiasmo excessivo de seus colegas pela esquerda, um homem de frágil, multifacetado, polifônico e admiravelmente sedutor. Uma historia fascinante, que se desenrola em meio a décadas de um século atravessado por guerras e que soube extrair uma lição disso tudo, a de o absurdo da vida não pode ser um fim, mas apenas um começo e o importante são as conseqüências e as regras de que se tira dela. Marcado pela precariedade da vida, Camus nos adverte para a necessidade de aproveitá-la ao máximo. Quando o Camus morreuJean-Paul Sartre disse: " O seu humanismo insistente, limitado e puro, austero e sensual, travava um controle doloroso contra os acontecimentos maciços e disformes deste tempo. O escândalo desta morte é a abolição da ordem dos homens pelo inumano."

quinta-feira, 16 de maio de 2013

a filosofia ubuntu



Um antropólogo estava estudando os usos e costumes de uma tribo na África e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo,  então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e deixou o cesto debaixo de uma árvore. Chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto e, a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou de cara! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "sou o que sou pelo que NÓS SOMOS !"

Atente para o detalhe: pelo que SOMOS, não pelo que temos...

Fonte: wwwespacoubuntu.com.br

segunda-feira, 13 de maio de 2013

NIETZSCHE E ZARATUSTRA





Nietzsche, no auge de sua solidão resolve escrever ironizando a religião, suas regras, seus dogmas, mas ele não somente critica o sistema religioso, como a crença, a própria fé com o argumento de que aquela infantiliza e torna o homem servil. Seu tom crítico e ácido afastou as pessoas de si, não havendo quem quisesse publicar seu livro que foi escrito durante o período de um ano. Em 1885 ele terminou os escritos e pagou do seu próprio bolso para publicar uma tiragem de quarenta livros. Os críticos insinuam que Nietzsche se viu solitário porque suas idéias eram adiante do seu tempo. Fico meditando se seria realmente esse o motivo. 

Ora, o grande objetivo de Nietzsche na maioria dos seus escritos era eliminar a ideia de Deus da humanidade. Matar Deus, assassinar Deus, segundo suas próprias palavras. Ironiza no seu livro palavras do sábio Salomão, sobre sabedoria, conhecimento, tudo ser em vão. De alguma maneira, ele nos convoca a derrubar todas as tábuas de regras antigas e um novo procedimento e maneira de pensar deve ser estabelecido. Chama Deus de verdugo, ciumento, misterioso, egoísta.

 Pergunto-me se Nietzsche tivesse usado da mesma sabedoria e harmonia que John Lennon, ex  Beatle,  com a música Imagine, com a melodia é belíssima, mas cuja letra sutilmente sugere a mesma coisa que o "louco e solitário” filósofo, se ele não teria sido mais ouvido, em sua época. De certo modo, Nietzsche seria  e é ouvido hoje ao se reportar à religião como um conjunto de homens que se arvoraram o direito de saber o que é bem e mal para o homem. (p.153) Para ele, só o criador, e veja bem, o criador com letra minúscula, o próprio homem, deveria criar o bem e o mal de todas as coisas. Por isso, Zaratustra ordena ao homem que derrube "as suas antigas cátedras, e onde quer que exista essa estranha presunção, mandei-os rir dos seus grandes mestres de virtude, dos seus santos, dos seus poetas e dos seus salvadores do mundo.” (p.153).

Nietzsche estaria inaugurando o Humanismo, onde o Homem é o centro de tudo quando apregoa o Super-Homem? O Homem sendo o criador de si mesmo, de suas regras, de seus valores? Sem a intermediação da religião? Nietzsche apregoa uma liberdade de pensamento. Contudo, que liberdade ele teria? Será que muito do que escreveu nesse livro não estava em delírio? Os teóricos, filósofos, e críticos literários  tentam em vão decifrar cada parágrafo de Assim Falou Zaratustra, ou os outros escritos. Alguns levaram dez dias somente para ser escritos. À primeira vista, os escritos parecem ser palavras jogadas ao ermo por uma mente perturbada e embaralhada. Quanta confusão, quanta revolta, quanta solidão, quanta tristeza, e pasmem, quanto julgamento de valores.

Entendo que ele viveu em uma época onde a religião oprimia, pergunto-me se hoje não vivemos o mesmo tipo de religião... No livro Piedade Pervertida, (2006) Ricardo Gouvêa denuncia o fundamentalismo que rotula de hereges presos que não pensem dentro dos seus dogmas e sistema. Talvez uma espécie de Nietzsche crédulo em Deus. As revoltas do filósofo encontram eco no sistema de sua época. Contudo, não se sabe se ele realmente não tolerava a idéia de Deus porque a religião vigente passava uma idéia deformada desse Deus? Ou ele realmente se revoltara contra Deus, ponto final. Nietzsche contradiz alguns princípios tidos cristãos, tais como bondade, generosidade, humildade, compaixão, e em certo sentido ele na pessoa de Zaratustra apregoa o contrário. Odiar mesmo os inimigos (soa bom), ser forte mesmo, revidar, não perdoar. Interessante, os que se denominam cristãos não já fazem isso mesmo? Leem que devem amar, perdoar, ter compaixão, mas fazem o contrário? Cito Ricardo Gouvêa: 

"Os fundamentalistas, no entanto, são capazes de perseguir, ostracizar, difamar e "fritar" as pessoas em nome de sua suposta pureza doutrinária que nada mais é que uma forma de idolatria. Coam um mosquito e engolem um camelo. " (p.45)

Quando Gouvêa (2006) denuncia o sistema dogmático, legalista das igrejas, não estaria ele também, de uma maneira mais racional e dócil corroborando com Zaratustra? 

"O legalismo pentecostal em que o evangelho da graça soçobra num emaranhado de regras de conduta. Legalismo que tem levado os membros das igrejas pentecostais aos manicômios e os pastores pentecostais ao suicídio. O legalismo, esse cartesianismo da piedade, que pensa poder construir um povo genuinamente cristão por meio de imposições e controle dos costumes. (...) O sensorialismo, muitos pentecostais que se desviaram da genuína intimidade com Deus que se dá por meio da união mística com Cristo, da percepção da transcendência e da imanência divinas e do engajamento na missão de Deus no mundo, e partiram para a busca louca de experiências sensórias que lhes dêem garantias da presença e da ação de Deus. O sensorialismo, essa mula-sem-cabeça da espiritualidade cristã contemporânea, tem como graves conseqüências o abrir as portas para o mais descarado charlatanismo, o levar muitas comunidades ao caos das manifestações sobrenaturais, e finalmente à ridicularização da ação miraculosa de Deus entre os homens, transformando tantas igrejas em tendas de milagres similares às dos cultos africanos, fazendo um pasquim dos grandes milagres de Deus na História tornando-os tão comuns e naturais como um show de televisão que se repete a cada semana, tornando os milagres de Jesus comuns e naturais, vulgares como um comentário passageiro numa conversa fortuita.” (p.57)

Denúncias, denúncias, denúncias. Fala-se sempre em última análise, e resumindo: precisamos amar. O que significa amar no nosso linguajar moderno?

Segundo Gouvêa:

 "amor significa solidariedadesolidariedadeininterrupta." (p.58)

A isso, Nietzsche se opõe, mas será que a oposição dele à ajuda ao próximo e à  compaixão não seria um sarcasmo? Por saber que realmente o sujeito religioso prega algo que nem sabe e nem consegue praticar?

Deixo a vocês os questionamentos e a busca pelas respostas...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O passado e o futuro da filosofia



Ao longo dos seus 25 séculos de existência a filosofia tem sido muita coisa, desde ciência mal praticada até pura superstição religiosa. Mas, se pensarmos bem, também a ciência e a arte têm sido muita coisa ao longo da história. Newton, por exemplo, é uma das maiores figuras de sempre da ciência; todavia, era uma pessoa supersticiosa, que desenvolvia pseudo-investigações em alquimia, que ele considerava muito superior à física. Quer a ciência quer a filosofia têm de olhar para os seus passados respectivos com um olhar crítico e aproveitar o bom e excluir o mau.
Os séculos XIX e XX representam para a filosofia o que os séculos XVII e XVIII representaram para a ciência. Durante séculos, a ciência não se distinguia claramente da crendice, do ocultismo, e dos jogos de palavras. Faltava-lhe uma visão clara da sua própria natureza e dos métodos de investigação fidedignos. Isso foi conquistado a pouco e pouco, e todos nós conhecemos os heróis dessa revolução: pessoas como Galileu ou Newton.
O mesmo acontece nos séculos XIX e XX na filosofia. Russell e Moore foram responsáveis, juntamente com o Círculo de Viena, pelo princípio de uma revolução que devolveu à filosofia a sua natureza própria — que antes esteve enredada em jogos de palavras e numa falta gritante de um método fidedigno. Tal como Galileu deitou mão do telescópio e abandonou a autoridade da Bíblia e de Aristóteles, assim também Russell e o Círculo de Viena deitaram mão da lógica e abandonaram a autoridade dos jogos de palavras e da confusão mental.
A nova ciência reconquistou a sua verdadeira natureza, procurando o melhor que ela própria tinha produzido na sua história, e avançando na mesma direcção mas agora com novos instrumentos. O mesmo fez a filosofia. É por isso que hoje se pode falar de progresso em filosofia, apesar de não se tratar de progresso no mesmo sentido em que há progresso em ciência. Mas hoje compreendemos muito melhor a natureza dos problemas da filosofia que os grandes filósofos do passado tentaram, heroicamente, resolver. E temos hoje instrumentos que nos permitem enfrentar esses problemas como nunca antes foi possível.
Infelizmente, a revolução filosófica tarda a chegar ao Brasil, tal como a revolução científica tardou também. Mas acabará por chegar, e a filosofia baseada em jogos de palavras acabará por desaparecer, transformando-se numa curiosidade popular, como é hoje a astrologia e a alquimia, que não têm obviamente lugar nas universidades nem no ensino secundário.

domingo, 5 de maio de 2013

Filosofia Hippie




No início dos anos 60 os jovens já possuíam uma educação liberal, que estimulava a capacidade de expressão de cada um, tornando-os mais críticos e contestadores a respeito da poluição atmosférica, pobreza, racismo, a sociedade toda voltada para o consumo e valores estéticos, além das guerras.
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Desde então existem movimentos formados por jovens rebeldes, delinqüentes e desajustados, porém com um grande potencial criativo e com seus próprios ideais. Queriam um mundo baseado no amor, na arte e na paz. Para eles a paz é a maneira de se resolver diferenças entre povos, religiões e ideologias. E o modo de se chegar à paz é o amor e a tolerância, aceitando o outro como ele é, sem julgar a aparência. Esta é a base da filosofia dos hippies.
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E foi nos Estados Unidos que os jovens com um sentimento de insatisfação e cansados de aceitar o modo de vida da sociedade saíram pela estrada em busca de novas emoções e diferentes sensações, passaram a usar drogas e consumir álcool. Essa geração ganhou o nome de “beat” e mais tarde foram batizados de “beatniks”. O movimento hippie era a forma concreta que eles queriam, porém ainda acreditavam em seus “sonhos dourados”, eles possuíam sua própria linguagem, escreviam sem levar muito em consideração regras , usando gírias e criando termos. Nessa época surgiram muitos escritores que até hoje tem influência sobre os jovens, entre eles Jack Kerouac, que escreveu o livro "Pé na Estrada", considerado a bíblia dos beatniks, onde conta suas aventuras pelas estradas, cruzando toda a América. Os beatniks criaram seu reduto na cidade de São Francisco, no bairro de North Beach.
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Em 1967, conhecido como o ano da Flor, os hippies convocaram uma reunião (Reunião das Tribos) e mostraram a sua força, no que foi chamado de World's First Human Be-In que contou com a presença de cerca de 20 mil jovens cantando e dançando, cobertos de flores, colares e pulseiras. Em junho 100 mil hippies(não todos juntos), invadiram a cidade de São Francisco para o chamado Verão do Amor o que deu fama tanto nacional quanto internacional para a cidade como a capital mundial dos hippies, que se intitularam como “Flower children” (Filhos da flor). Porém isso causou uma grande exploração turística, que não era o fundamento dos hippies, com isso muitos deles deixaram o local e foram viver em comunidades rurais. Assim foi o início deste grupo que ainda hoje mantem sua filosofia, seus hábitos e costumes, espalhados pelo mundo todo.
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Informaçoes retiradas do site:http://br.geocities.com/mundohippie/hippies.htm